" Sigo em frente, pra frente eu vou
sigo enfrentando as ondas onde muita gente naufragou ..."



sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Rigidez contra corrupção marca primeiro ano de Dilma, mas escândalos ofuscam programa


A rigidez diante da corrupção se tornou uma das bandeiras mais fortes do primeiro ano do governo da presidente Dilma Rousseff, que encerra 2011 com índice de aprovação recorde. Embora tenha perdido sete ministros nos últimos meses, seis deles sob suspeita de envolvimento com irregularidades, a petista não só conseguiu se “descolar” das acusações, mas também ganhou fama internacional com sua política de “tolerância zero”.
Não por acaso, a luta da presidente brasileira contra políticos corruptos ganhou as páginas dos principais veículos de comunicação do mundo, como as revistas americanas Time e New Yorker, a britânica The Economist e o jornal espanhol El País. A “faxina” de Dilma ficou famosa principalmente durante o escândalo no Ministério dos Transportes, em julho, cujo desfecho foi a queda do então ministro Alfredo Nascimento (PR-AM) e a demissão de pelo menos 24 servidores da pasta.
Para o cientista político Celso Roma, doutor pela USP (Universidade de São Paulo), Dilma não ficou com fama de “durona” à toa. Na avaliação dele, a presidente foi mais rígida que seus antecessores, os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso.
- A forma como a presidente Dilma lidou com denúncias de corrupção em seu governo a diferenciam dos antecessores. Em primeiro lugar, ela não menosprezou as denúncias envolvendo seus ministros [...] Em segundo lugar, resistiu à pressão por parte dos líderes dos partidos da base aliada no Congresso, para manter os acusados no ministério. Em terceiro lugar, e talvez o mais importante, ela se destaca por ter afastado o maior número de ministros em um governo durante a Nova República.
Outra característica que se tornou uma “marca de Dilma” foi o fato de a presidente ter dado a todos os ministros a chance de se defenderem, como ressalta Renato Janine Ribeiro, professor titular de Ética e Filosofia Política na USP.

- O primeiro traço da Dilma como presidente é que primeiro ela deixa a pessoa se defender e, depois, se a pessoa não responde a contento, é demitida. [...] Nenhum deles [dos seis ministros que caíram após denúncias] conseguiu, até agora, provar que eram inocentes. Não quer dizer que eles sejam culpados. Mas, na política, se você não consegue passar para a sociedade a convicção de que é inocente, acabou.
Os especialistas alertam que, para manter a fama de “inimiga da corrupção” em 2012, Dilma precisará escolher bem quem entra e quem sai na reforma ministerial planejada para o início do ano. Além disso, sustentam os analistas, o governo deveria pôr em prática uma completa reforma administrativa, que resulte não só na diminuição do número de ministérios (hoje são 38), mas também no fim da divisão de pastas entre os partidos aliados. Essa é a opinião do cientista político Rogério Schmitt, de São Paulo.
- O Lula construiu um modelo, e a Dilma manteve, que praticamente torna os partidos aliados proprietários de determinados ministérios. [...] Quase todos os ministros que caíram foram substituídos por pessoas do mesmo partido. Num sistema presidencialista, tem de haver mais equilíbrio, para que seja exclusivo da presidente o direito de nomear e demitir os ministros que quiser a qualquer momento.


Agenda positiva
Se, por um lado, a presidente encerra o ano com uma fama positiva em relação às iniciativas anticorrupção, os escândalos ofuscaram o lançamento de programas importantes do governo federal, e não foram poucos. Em um esforço para manter uma agenda positiva em meio ao turbilhão na Esplanada, Dilma lançou nos últimos meses os programas Brasil sem Miséria, Rede Cegonha, o plano de combate ao crack, o Brasil Maior e o plano dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Para Celso Roma, outro fator que contribuiu para deixar à sombra as ações lançadas em 2011 foi a preocupação da população diante da crise econômica internacional. A forma como Dilma lidou com a iminência da recessão mundial também garantiu elogios - e aprovação - ao governo.
- Devido à preocupação generalizada com a crise mundial e os efeitos dela na economia brasileira, os programas Brasil sem Miséria e Luta contra o Crack ainda não tiveram o reconhecimento que merecem.
Segundo o cientista político José Paulo Martins Júnior, da Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), é normal que programas cujos resultados são esperados para longo prazo demorem para emplacar. Ele diz que, em 2012, Dilma precisa ficar atenta a outro programa, lançado há bastante tempo, que parece ter empacado: o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
- O PAC está empacado, até agora não decolou. A principal obra do programa, que é Belo Monte [a construção da usina hidrelétrica no rio Xingu, no Pará], está cercada de uma série de polêmicas. A realização das obras da Copa de 2014 e da Olimpíada também avançam lentamente. [...] Então, a Dilma corre o risco de, apesar de ter como qualidade o lado de gestora, ficar marcada pela ineficiência na área de infraestrutura. Isso é um desafio.
 

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