" Sigo em frente, pra frente eu vou
sigo enfrentando as ondas onde muita gente naufragou ..."



segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Lajedo: até os talheres usados na merenda escolar sumiram



 
















Por Cláudio Santos

Apontado como gestor exemplar pelo PSB – tanto que o governador chegou a estimular a transferência de domicílio para Garanhuns – o ex-prefeito de Lajedo, Antônio João Dourado (PSB), deixou uma herança “criminosa”, expressão utilizada pelo novo prefeito, Rossini Blésmany (PSD). Para ter acesso ao seu gabinete, Blésmany teve que arrombar as fechaduras, já que as chaves da porta não apareceram.
Diversos prédios em que funcionam secretarias e repartições públicas do segundo escalão foram entregues depenados e sem tetos. A equipe do novo prefeito está trabalhando em salas de escolas municipais. Sem a menor condição de tocar os serviços básicos e sem poder movimentar a conta do erário, o prefeito decretou estado de calamidade.
Toda a fiação da central telefônica e os cabos de internet apareceram cortados no dia 1º de janeiro. “O que fizeram com Lajedo está relacionado a uma operação criminosa”, disse Blésmany, segundo postagem no blog do jornalista Roberto Almeida, de Garanhuns.














Fiação telefônica e cabos de internet cortados desde o dia 1º de janeiro
O prefeito não tem a noção exata dos débitos herdados. Ele encontrou pagamentos em aberto com fornecedores, salários atrasados e pendências com o INSS. “Não sabemos ainda o tamanho do rombo. O que era de informação e estava impresso sumiu e o que estava nos computadores foi deletado”, disse o pessedista.

As Secretarias de Educação, Obras e Agricultura estão sem teto. As pastas funcionavam em prédios alugados e nos últimos dias de dezembro os contratos com os imóveis foram interrompidos e os funcionários ficaram sem ter onde prestar expediente.















Os banheiros do Colégio Normal foram encontrados sem pias
Duas grandes escolas da rede municipal foram recebidas pela nova gestão em estado comprometedor. No Colégio Normal de Lajedo, que abriga em torno de 1,3  mil alunos, os banheiros foram destruídos, vasos sanitários não têm sequer descarga, as pias sumiram e as instalações elétricas e hidráulicas estão impraticáveis.

Nas salas de aula a situação é ainda pior. Paredes com rachaduras, vidros, janelas e cadeiras quebradas, são apenas alguns dos problemas encontrados. Até a cisterna que abastece a unidade de ensino apareceu destruída.















A bomba d'água do Colégio Municipal simplesmente sumiu
Na escola Dom Expedito Lopes, sete computadores foram encontrados escondidos dentro de um banheiro que estava fechado com cadeado. As salas não têm fechadura, o telhado está visivelmente comprometido e cheio de goteiras, banheiros são utilizados como depósitos de material e até lâmpadas estão caindo, penduradas por um fio.

Na zona rural, a escola João Rosendo Fernandes, no sítio Laje dos Cadetes, está sem água desde o mês de outubro passado. “As portas não tem fechadura. Nós fechamos com um cabo de vassoura que fica segurando do outro lado”, informa a professora Joelma Gonçalves, que além de ensinar, cuida da limpeza e manutenção da unidade onde estudam 19 crianças.

A nova gestão encontrou apenas duas colheres e dois garfos na pequena sala onde é preparada a merenda escolar. No hospital, falta até esparadrapo. No setor de pediatria, as gavetas onde são guardados os medicamentos estão vazias e o banheiro merece cuidados especiais. Foram encontrados apenas um vidro com algodão e três abaixadores de língua. O bloco cirúrgico está interditado e servindo atualmente de depósito.















Ambulâncias sucateadas na garagem do hospital

Na garagem do hospital estavam estacionadas duas ambulâncias cobertas pela poeira ao lado de um micro-ônibus odontológico e uma Van para o transporte de pacientes. Nenhum dos veículos funciona. Por determinação do prefeito, as ambulâncias já foram removidas para oficinas mecânicas.

Diante da decretação de estado de emergência, o município fica autorizado a contratar, por um prazo de 90 dias, bens e serviços essenciais ao funcionamento das secretarias de administração, finanças, saúde, educação e assistência social sem a necessidade do processo de licitação, desde que verificada a necessidade da contratação.

Magno Martins

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